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terça-feira, 29 de novembro de 2011

Somos à favor do parto humanizado...





Parto humanizado não é apenas mais uma técnica para ajudar a mulher a dar à luz, mas um conceito segundo o qual a gestante tem o direito de escolha sobre como quer ter o bebê. É uma nova forma de encarar o nascimento, que deixa de ser um procedimento essencialmente médico e passa a ter o comando da parturiente.
A humanização do parto não significa mais uma nova técnica ou mais conhecimento, mas, sim, o respeito à fisiologia do parto e à mulher.
Muitos hospitais e serviços médicos ignoram as regulamentações exigidas pela Organização Mundial de Saúde e Ministério da Saúde, seja por querer todo o controle da situação do parto, por conveniência dos hospitais em desocupar leitos mais rápido ou por comodidade de médicos e mulheres em que no mundo atual não se pode perder muito tempo.
Mas a ciência vem comprovando que o excesso de intervenções tecnológicas durante o parto pode não ser tão seguro em partos de baixo risco.
Já se provou que as parteiras são mais seguras que os médicos nos nascimentos de baixo risco, e que neste mesmo nascimento de baixo risco o parto domiciliar ou em Casas de Parto são tão seguros quanto os realizados nos hospitais e maternidades, com a vantagem de não realizarem tantas intervenções, pois o parto é mais natural.
O acompanhamento familiar deixa a parturiente mais tranqüila, tornando o parto mais seguro, ao constatar que a equipe especializada dos hospitais não consegue oferecer o suporte emocional que a parturiente necessita.
Humanizar o parto é dar liberdade às escolhas da mulher, prestar um atendimento focado em suas necessidades, e não em crenças e mitos. O médico deve mostrar todas as opções que a mulher tem de escolha baseado na história do pré-natal e desenvolvimento fetal e acompanhar essas escolhas, intervindo o menos possível.
A dor é entendida como uma função fisiológica normal que pode ser aliviada com métodos não-farmacológicos amplamente embasados, mas não quer dizer que a mulher não tenha a escolha de optar pelo uso de analgesia.
Isso não significa que o parto cesárea ou com intervenção médica não possa ser humanizado. O parto cesárea existe para salvar vidas, mas não deve ser a grande maioria dos partos como acontece hoje e sim como em último caso. Isso também deveria acontecer com as intervenções médicas que somente devem ser aplicadas quando necessárias ou quando de escolha da mulher se bem orientada quanto a essas intervenções.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Protesto contra o fechamendo da Casa de Parto David Capistrano Filho - RJ

Matéria exibida no RJTV 1ª Edição em 09/06



Estamos ajudando na divulgação do ato de apoio à Casa de Parto David Capistrano Filho. A única Casa de Parto do Rio de Janeiro foi FECHADA e precisa da nossa ajuda.
Participe da Campanha a favor das Casas de Parto!



A Casa de Parto David Capistrano Filho é uma unidade integrante do sistema de saúde, de assistência as gestantes com gravidez de baixo risco, situada em Realengo, AP 5.1 e funciona desde março de 2004. Na região sudeste, é a segunda implantada, a primeira foi inaugurada há 11 anos em São Paulo e seus resultados maternos e perinatais são bastante encorajadores, tanto em relação à segurança, quanto à qualidade da experiência para a mulher e sua família.

Sua implantação aconteceu em conjunto com o Ministério da Saúde, de acordo com a Portaria 985, 05/08/1999 do Ministério da Saúde, como estabelecimento autônomo (unidade isolada). O objetivo deste serviço é favorecer o nascimento humanizado com acolhimento e proteção dos direitos da mulher e do bebê.

Todo o atendimento obstétrico e neonatal é realizado por 18 enfermeiras obstétricas especialistas, com longa experiência na área, apoiadas por 08 técnicos de enfermagem, 02 assistentes sociais e 01 nutricionista. Este é o mesmo grupo desde a sua inauguração, não havendo flutuação no seu quadro funcional, uma vez que estes profissionais estão integrados a proposta de qualificação da Atenção Perinatal da SMSDC.

A Casa de Parto tem sua diretora como responsável técnica, conforme Certidão de Responsabilidades Técnica nº. 852/08 - COREN/RJ, respeitando a RCD nº 36 de 2008 em seu anexo I item 3.9. A unidade presta assistência segundo protocolos elaborados pelo grupo técnico da SMSDC, respeitando os critérios de risco consagrados na atualidade.

Nestes 05 anos de funcionamento a casa de parto realizou 1350 partos, trazendo ao mundo carioquinha saudáveis, além de realizar em média 820 consultas de pré-natal por mês, com 116 grupos educativos com gestantes. O serviço de referência para os casos que fogem à normalidade é a Maternidade Alexander Fleming, segundo a resolução SMS nº 1041 de 2004. Existe no local uma ambulância 24horas, garantindo segurança quando há necessidade de transferência, evitando a peregrinação da gestante. Desde sua inauguração, a casa de parto promove capacitações em pré-natal de baixo risco para os profissionais de saúde de toda a rede municipal de saúde e como campo de estágio para pós-graduação de enfermeiros obstétricos. A formalização da unidade como centro formador está em curso junto a Faculdade de enfermagem da UERJ. A inspeção regular da SUVISA- SESDEC/RJ em 09 de fevereiro de 2009 apontou algumas pendências que estão em fase de adequação. Algumas pendências não são pertinentes por se tratar de unidade “Centro de parto nomal” como estabelecimento autônomo (unidade isolada). Na avaliação atual da Área Técnica de Saúde da Mulher (SUBPAV) e da Superintendência de Maternidades (SUBHUE) há absoluto cumprimento das normas e protocolos definidos para atuação desse tipo de unidade de saúde ratificando o compromisso da SMSDC com a qualidade da assistência as mulher e crianças cariocas.

(Texto enviado pela Casa de Parto David Capistrano Filho - RJ)

sábado, 16 de maio de 2009

Humanização do Parto - Doulas























DOR HUMANIZADA

Por Bárbara Luz BARBARA@EDITORAA2.COM.BR / Foto Marcos Ferreira/ REVISTA SAÚDE/ EDITORA BIANCHINI

"Quando a hora do parto se aproxima, a presença de uma doula pode ser fundamental para tranqüilizar, confortar e dar segurança à mãe. Corajosas e determinadas, essas mulheres estão mostrando que nem sempre o parto sem dor é a melhor opção. E quem já experimentou, aprovou a idéia."


Dúvidas, medo e ansiedade se misturam quando a hora do parto se aproxima. E para a mulher que se encontra sozinha, rodeada de enfermeiras e médicos que, acostumados com essa cena, mostram-se muitas vezes indiferentes, a angústia pode ser ainda maior. Na época de nossas avós, quando os bebês nasciam em casa, as mulheres podiam contar com a experiência de suas mães, tias e vizinhas para tranqüilizá-las. Com a hospitalização do parto e introdução da anestesia, no século 19, dar à luz se tornou mais seguro e sem dor, motivo de comemoração para elas. Em contrapartida, esse momento mágico foi reduzido a um ato técnico, quase banalizado por alguns profissionais.

Para resgatar a emoção ímpar perdida durante a modernização do parto, surge a figura da doula, palavra de origem grega que significa “mulher que serve”. O papel da doula é justamente dar o suporte físico e emocional para a mulher, antes, durante e depois do parto. Durante o parto, a doula funciona como uma interface entre a equipe de atendimento e o casal. Ajuda a parturiente a encontrar posições mais confortáveis para o trabalho de parto, mostra formas eficientes de respiração e propõe medidas naturais que podem aliviar as dores, como banhos, massagens, relaxamento etc.
Antes mesmo de ficar grávida, Camila Fornaziero, 28 anos, já estava decidida a não abrir mão da presença de uma doula em seu parto. Quando começou a sentir as primeiras contrações, foi a São Paulo para ter seu bebê, onde teve o acompanhamento da doula Ana Cristina Duarte. “Não encontramos em Sorocaba um hospital que trabalhasse em parceria com uma doula”, argumenta, sobre a ida a São Paulo. Atitude que não se arrepende. “A presença da Ana Cris foi muito importante para me tranqüilizar. Quando você está em trabalho de parto, milhares de coisas passam pela sua cabeça e tê-la ao meu lado, dando conforto, acalmando, foi fundamental”, relembra ela, que sem cortes, raspagens ou anestesia deu à luz da maneira mais natural possível a Rafael, de dois meses.

TAXAS ALTAS

Segundo a Associação Nacional de Doulas, a demanda por esse serviço no Brasil ainda é pequena quando comparada a outros países, mas vem crescendo significativamente. Isso porque cada vez mais mulheres desejam que seus filhos cheguem ao mundo através de um parto humanizado.
Para a doula Adriana Malteze isso é um indício de que “as mulheres estão resgatando o direito de serem donas do próprio parto, de poderem optar como querem ter seus filhos e de poderem dispensar tanta tecnologia que veio para salvar vidas quando necessário, e não para serem banalizadas e tornarem-se “o normal”.
O desabafo de Adriana diz respeito ao número absurdo de cesáreas feitas no País. Enquanto a Organização Mundial de Saúde considera aceitável uma taxa de cesárea anual não superior a 15%, cerca de 80% dos partos realizados nas maternidades brasileiras são cesarianas, cuja utilização indiscriminadamente é muito criticada por alguns médicos. Segundo o Royal College of Obstetricians de Londres, a mulher que faz uma cesárea sem necessidade corre quatro vezes mais risco de ter complicações posteriores. Na Inglaterra, a taxa de cesáreas está por volta dos 20%, índice também acima do recomendado.

NA HORA H

O que é uma doula?
São mulheres especializadas no acompanhamento do parto no que se refere ao suporte físico e emocional à mulher e ao acompanhante por ela escolhido (marido ou outra pessoa). Elas visam o parto humanizado, que é um parto no qual todas as escolhas das mulheres são respeitadas, além de ser feito com o mínimo de intervenções médicas possíveis, como raspagem pubiana, lavagem ou episiotomia, corte para aumentar a abertura da vagina.

Quando procurar uma doula?
Quanto antes a doula for contatada, maiores as chances de se obter um parto o mais natural possível. Se as condições de parto já são tema de discussão entre a gestante e o marido ou alguém de confiança, já é um bom momento para conhecer o trabalho de uma doula.

Quanto custa o serviço?
Custa cerca de 500 reais.

Quais os serviços inclusos nesse valor?
Estão inclusos uma visita pré-parto, o acompanhamento de parto desde o início, em casa, até o nascimento do bebê, no local onde a gestante escolher. Também inclui suporte pós-parto.

Pesquisas mostram que a atuação da doula no parto pode diminuir em 50% as taxas de cesárea, em 20% a duração do trabalho de parto e em 60% os pedidos de anestesia.